Liberalismo

Keynes estava certo: O mercado deve ser regulado, o que Keynes não disse e talvez não saiba é para qual lado deve pender a balança na hora de intervir, tampouco disse quando intervir ou deixar que o próprio mercado se regule.

Embora uma economia sem intervenção do Estado seja mais saudável, vemos na história graves crises que devastaram o mundo, Se isso pudesse ser evitado com mínimo de dano possível não seria ótimo?

Entretanto o que acontece é que os governantes nem sempre são tão bem intencionados assim, e na verdade, são bem inescrupulosos principalmente se olharmos para baixo da linha do Equador. Entre uma medida na qual alguns setores saiam perdendo agora e outra em que veremos uma enorme catástrofe no futuro, eles preferem a segunda. Entre um governo correto, austero e impopular e um populista, eles preferem praticar o segundo, deixando para a população as consequências do atraso e da irresponsabilidade fiscal e política.

Então como confiar a esses senhores as rédeas do mercado? Quem vai garantir que as suas decisões serão as melhores para o povo e não as melhores eleitoreiramente falando? Se tiver de haver regulação que seja por leis muito bem elaboradas e sem brechas para evitar que um aventureiro qualquer interfira no mercado em benefício próprio.

Keynes estava certo, ele só não se lembrou que essa intervenção não pode ser creditada nas mãos de um homem babaorixá que seja. Já que os santos estão todos mortos e os deuses não ligam muito para o mercado, então deixemos que o mercado se autorregule, as crises virão de um modo ou de outro, mas com a autorregulação o melhor sobrevive como na natureza, e com a teoria keynesiana os sobreviventes são escolhidos segundo a vontade de quem ocupa o poder.

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Nas entrelinhas

Nas entrelinhas de uma vida inteira

O que ficou nas entrelinhas (e vai ficar pra sempre)
Nas palavras que não podem ser ditas
Ou no toque que faz suar e gela a mão
Das palavras caladas no último momento
Aquelas que causam um aperto no coração
E depois dor, uma espécie de saudade
O que não precisa ser cantado

O que ficou nas entrelinhas
de algum dia guardado na memória
de um sentimento que renasceu tão mais forte
e num momento tão inesperado
quando já nem se lembrava do que sentia
já não havia mais nada do que lembrar
Aquilo que não podia mais ser cantado

E se houve amor alguma vez
Se não foi só uma paixão arrebatadora
Ficou apenas nas entrelinhas do passado
O vento levou embora com a distância e com o tempo
E se não era nada daquilo,
por que isso vem agora tão intenso e de novo
O que já não pode mais existir

Agora que está tudo tão óbvio
É como encontrar uma rosa tão bela e rara
Impossível de ser encontrada
E mesmo assim tê-la entre os dedos
Mas um instante depois
Vê-la murchar e secar
O que já não dá pra ser guardado

As viagens

Enfim apareceu um concurso promissor: muitas vagas e na minha área de atuação, porém a mais de mil quilômetros de distância. Antes de começar a narrar a viagem quero falar de algo que já vinha acontecendo.

Estava ocorrendo, para minha alegria, uma leve enxurrada de livros politicamente incorretos (vou usar aqui o tema politicamente incorreto, mas não quero esclusivizar as obras de Leandro Narloch, apenas mostrar que se criava uma tendência contrária à chatice do politicamente correto). O último que havia sido lançado era o Guia politicamente incorreto de filosofia, o que não me chamou atenção porque entendo muito pouco de filosofia, então achei que não ia me agradar, embora tivesse apreciado muito os dois títulos lançados anteriormente.

Eu lia, naquela época, uma coluna que saía na Folha de São Paulo todas as segundas. Adorava os textos de Luiz Felipe Pondé, via neles um humor que agora não sei classificar, mas eu achava fascinante.

Voltando à viagem. Eu estava naquela sala que chamam de VIP no aeroporto esperando o voo e, para passar o tempo entrei naquelas lojinhas de livros. Estavam os três títulos expostos em destaque, os dois que já havia lido e o último que tratava de filosofia. Mas, para minha surpresa, olhando os exemplares de perto, constatei que o livro era escrito, não pelo Leandro Narloch, mas pelo Pondé, o colunista que eu tanto gostava de ler.

Lembrei que seria ótimo encontrar o autor naquele aeroporto chato. Compraria o livro imediatamente para que pudesse ser autografado pelo escritor famoso. Claro que a probabilidade de encontrá-lo era mínima, mas enfim…

Então imaginei a cena: eu indo cumprimentá-lo e dizendo que lia a sua coluna todas as segundas-feiras, adorava seu trabalho e etc. E pensei em quantas pessoas já deviam ter dito isso a ele. E no quanto isso devia incomodar quem, como eu, queria apenas não ser incomodado enquanto esperava o vou o qual não chegava nunca.

Patético, mas, mesmo assim, tentador.

Na viagem de volta conheci um cearense, artista plástico, daquele tipo simpático e conversador. Ele tentou puxar assunto logo no primeiro contato, mas eu vinha introspectivo — o concurso não tinha sido tão bom assim — não estava muito afim de papo, mas ele insistiu e me parecia gente boa, era eu que não estava muito no clima.

Quando chegamos em brasília cumprimentei-o me despedindo e disse que foi um prazer conhecê-lo, mas como? Se eu mal respondi as suas perguntas e afirmações. Enfim.

Logo descobri que pegaríamos o mesmo voo até o final da viagem, ajudei-o com as cachaças que trazia de Minas e fizemos mesmo amizade, conversamos e rimos éramos dois cearenses bem humorados, por algum tempo esqueci o concurso.

Nos aeroportos aqui no Brasil encontro, invariavelmente, um tipo bem comum, aliás vários, mas esse tipo em particular me incomoda, é o grupo de pessoas que faz questão de mostrar que não é a primeira vez que viaja, como se fosse só eles. Na verdade durante algum tempo viajar de avião era um privilégio, mas atualmente quase todo mundo já fez a primeira viagem de avião, então essa soberba está fora de moda, para dizer o mínimo.

Uma moça jovem falava alto e dizia na fila do embarque que não usava mais relógio de pulso porque sempre tinha que tirar para passar no raio-x, o que estava nas entrelinhas do que ela dizia: Viajo tanto, muito mais que qualquer um aqui, já tenho experiência e não sou como os outros que dificultam o embarque. Outro, na hora de entrar no avião, insistia em usar o telefone móvel só para dizer depois que sempre telefona nesse momento da viagem e só naquele dia fora repreendido. Depois tive oportunidade de escultar o que de tão importante ele tinha a dizer e agora transcrevo: Oi amor já to no voo… não, era só isso. — e concluiu — Beijo.

Patético também, mas talvez pra ele, tentador também.

E vejo ainda os executivos de São Paulo, que vontade de rir, todos olhando os relógios de pulso, com o computador no colo e agoniados como se estivessem atrasados para uma reunião importante, mesmo sendo num sábado a tarde, o voo não atrasou não entendi então o motivo da agonia do engomadinho.

Nunca tive medo de morrer na aterrissagem, meu medo é ter algum dia que usar aqueles saquinhos para vômito. Adoro os voos com entretenimento principalmente series de TV. Procuro ser gentil, mas nem tanto assim.

O que se fez do nosso amor

O que você fez com nosso amor minha menina?

Mostrei o mar a ti e sei que te encantou porque você chorou

Ensinei os versos de Camões e sei que gostou porque sorriu

cantamos juntos tantas vezes lindas canções de amor

tantas vezes cantamos canções de ninar e dançamos

o teu sorriso iluminava meu dia

e a nossa vida era repleta de alegria

Busquei as pedras mais lindas para te enfeitar

comprei os tecidos mais caros para te vestir

procurei os versos mais lindos para te dizer

garimpei as carícias mais sutis para te adorar

disse o que havia de mais alegre para ver você sorrir

e teu sorriso vinha lindo para me fazer feliz

fomos tão felizes minha morena

vivemos um amor de sonho

mas nao tenho mais teu sorriso agora

como um pássaro que voa e deixa a gaiola vazia

o que se fez do nosso amor minha menina?

o que se fez do nosso amor minha menina?

Felizes para sempre

II

Ser bom não é suficiente, do mesmo modo que o suficiente não é bom de verdade

Lolita estava casada com o homem que amava, tinha a própria casa e um emprego razoável, ainda não queria ter filhos e não os tinha, morava num bairro bom perto de tudo, todavia, ela não estava feliz. Olhava nos olhos dela, aqueles olhos castanho claro, que um dia brilharam como nunca, e não via esse brilho. Não havia mais brilho nos olhos dela.

Eu até sabia quais eram as queixas dela, mas não conseguia entender. Ou me recusava a entender. Pessoas de classe média, vivendo como classe média, comendo dormindo e se amando como casais de classe média. Pra mim bastava, pra ela, não.

Quando eu estava em dúvida entre as três, tinha certeza que a mais compreensível e companheira era Lolita, mas agora que não tem mais ninguém, as coisas se inverteram. Impressionantemente eu também ganhava mais dinheiro no poker, jogava mais agressivo e isso dava resultado. Bebia menos, curtia mais, trabalhava menos e com mais disposição e, como não namorava com nem uma das três, ainda apareciam outras festinhas privadas.

Então, como minha vida estava ótima, resolvi casar, logo que me apareceu uma segunda universidade pra eu assumir e não apenas duas turmas de quatro créditos (quatro aulas divididas em duas vezes na semana), mas também a coordenação do curso. Reajustei meus horários e parecia funcionar, cancelei quase totalmente as noites de poker e mudei o consultório para próximo de casa.

A vida ficou razoável e isso não era bom o suficiente para Lolita.

Felizes para sempre

Quem se deixa escolher, sempre perde algo importante.

Se alguém pudesse me amar seria Lolita, linda e culta, daquelas que vão em sessões de arte e sabem qual técnica o pintor usou. Lolita é dedicada e delicada, meiga a ponto de sorrir deliciosamente quando busco água pra ela. Mas eu não a amava, não do modo que era pra ser.

Laurinha: essa eu amava, muito, ela era ocupada dona de uma rede de salões de beleza, nunca tinha tempo pra mim, como eu sofria por isso. sempre depilada, completamente. Uma pele tão macia e tão gostosa quanto um pêssego. Fantástica.

E por fim a minha preferida Iana. Ah essa era demais, rica, herdeira de uma fortuna incalculável (pelo menos pra mim). Genial — ela tinha saída pra tudo — gostava de curtir a vida, quantas vezes viajamos na sua lancha para paraísos em plena terça-feira. Curtir a vida é com ela mesma.

Com qual das três eu casei? Pois vamos às eliminações: Iana viajou pra europa, voltaria em quinze dias, foi ficando até que conseguiu cidadania francesa sei lá como e nunca mais a vi, nem em fotos. Última notícia dela quem me deu foi Lucas, um amigo em comum que se encontrou com ela em Valença na Espanha há uns três anos, disse que ela estava um arraso: linda e rica como sempre foi. Mandou pra mim os documentos da lancha e disse que eu cuidasse dela até ela voltar. Bom pelo menos isso…

Laurinha conheceu um cara e melhor nem entrar em detalhes, faz pouco tempo e eu ainda nao degluti a ideia de ter sido traído. O tal cara era velho, gordo e careca, quer saber? Ela ainda vai me procurar.

Lolita vai aos museus e exposição de artes com as amigas da faculade, eu assisto meu futebou todas as quartas e domingos e ninguém briga por isso. Ah, o poquer também é sagrado, mas ultimamente tá mais raro que o fluminense ganhar alguma partida no campeonato brasileiro, tudo bem, ano que vem tem copa do mundo e eu me animo.

Enfim moramos num apartamento pequeno, financiado na Barra da tijuca, as prestações são altas e levam um quarto do meu salário. A lancha também me dá uma despesa enorme, mas Lolita adora passear pelas praias mais exóticas. Enfim, ensino em duas universidades e atendo idosos com deficiências motoras. Quando eu era solteiro era bem melhor.

Dia mundial do rock

Hoje comemora-se o dia mundial do rock. Data muito importante para os adolescentes e para os entusiastas do ritmo mais dinâmico da música. Embora o bip bop tenha muito mais nota por compasso, o rock assume o status de dinâmico pelas modificações que sofreu desde Elvis Presley. Houve muitas contribuições importantes como as de Chuck Berry e de Bob Dylan até o rock assumir um estilo próprio e se popularizar pelo mundo com os Beatles. Depois disso surgiram muitas bandas populares, mas nem uma conseguiu repetir a unanimidade atingida pelos reis do ieieie.
Agora o ritmo já consolidado e maduro agrada diversos tipos de público, desde o mais pop ao mais erodido; e agrada diversas idades, não obstante os mais fanáticos sejam os jovens, encontram-se muitos vovôs embalados pelo ritmo quente em muitos bailes pra terceira idade pelo mundo afora, afinal ninguém deixa de gostar de um estilo de música porque passaram-se os anos.
Não podemos também deixar de considerar as contribuições que o rock trouxe para a musica como um todo, por exemplo o uso da guitarra no forró nordestino e no axé, a popularização do “mais do mesmo” e o engarrafamento do estilo que dá certo, o pop-rock que conquistou o mundo nos anos setenta e oitenta. outro movimento brasileiro que teve muita influência do rock foi o tropicalha, divulgado massivamente por Caetano e Gil, que representava uma mistura dos ritmos brasileiros e o americano.
Feliz dia do rock aos roqueiros de plantão e aos simpatizantes afinal precisamos mesmo de variações, mesmo que sejam variações sobre o mesmo tema.

Adoção por casais do mesmo sexo

A união gay já é um assunto bem batido e, acredito, já está resolvido, agora isso é legalizado. A partir disso vêm os direitos dos recém casados, um desses direitos é o de ter filhos  e, como casais do mesmo sexo não podem engravidar, resta-lhes adotar uma criança. E isso tem sido motivo de intensas discussões. A igreja é contra; sob o ponto de vista da família, não é usual, mas será que os casais não têm esse direito?

Vamos tentar nos colocar no lugar das crianças adotadas: para uma criança que mora nas ruas, sente frio e fome, muitas vezes sofre violência, vive ao lado da morte; para essas crianças certamente a adoção seria uma bênção. Ela teria casa, educação, amor, lazer, além de todas as coisas supérfluas que todas as crianças adoram. Então o que seria melhor pra ela, viver na rua abandonada ou numa casa com amor e carinho?

Alguém pode argumentar que ela sofrerá bullying na escola por ter dois pais ou duas mães. Ora, para uma criança que vive abandonada nas ruas, viver sofrendo bullying seria uma vida razoável, uma vida perfeita nem um de nos temos.

E, ainda insistindo nesse tema do bullying, o errado não é a criança que sofre o bullying, e sim o agressor. Quanto ao preconceito o errado não é quem sofre o preconceito  e sim o preconceituoso. De um lado nós temos um casal disposto a dar um lar para uma criança do outro temos um agressor preconceituoso que é contra esse casal e acredita que é melhor pra alguém viver nas ruas marginalizadas do que ser criada por um casal homossexual.

Embora admitindo que uma criança adotada não é igual a uma gerada pelo casal e que o convívio dentro de uma casa com dois pais ou duas mães possa parecer estranho, essa adoção ainda é uma boa alternativa para os nossos padrões de vida.